Por Geovanna Domingos

quarta-feira, 17 de dezembro de 2014

Dúvidas, garotos e Rock n' Roll: capitulo 8 Sophia

-Não feche os olhos!
Foi a última coisa que eu ouvi, depois tudo ficou branco, não consegui falar nada.
Quando abri os olhos de novo, vi uma luz forte, eu estava em um quarto grande, a parede estava pintada de um verde nenhum pouco atraente, o quarto era muito claro, tinha umas agulhas enfiadas nos meus braços, quando minha visão se focalizou, vi um Pedro no sofá de acompanhantes chorando, minha mãe, estava sentada do lado dele, chorando também.
Será que eles não conseguem ver que estou acordada? Tento me mexer, mas tem muitos tubos em minha volta, tento falar, mas não consigo também, meu pai entra pela porta com um copo de café na mão, ele para um minuto e olha para mim, sua expressão vai de cansado para feliz.
-Ana! Ela acordou!
E veio em minha direção, com os braços abertos, me deu um abraço, meu corpo começou a latejar. Minha cabeça doía muito, mais do que quando minha enxaqueca resolvia aparecer.
Pedro meio sem jeito chegou perto da cama, ele não piscava, seus olhos azuis estavam petrificados, presos aos meus.
-Voc...Voc...Você está bem Sophi?
Apenas balancei a cabeça indicando que sim, ainda não conseguia falar.
Meu pai apertou um botão vermelho, que estava do lado da minha cama, imediatamente uma enfermeira apareceu, junto com um doutor.
-Olá Sophia, sou o Doutor Henrique. Como está?
Fiquei em silêncio. Por que não consigo falar? Por que?
-Sophia! Como está?- repetiu o doutor, só que mais alto.
Não consegui responder de novo, apontei meu dedo para a minha garganta, tentando indicar o que estava acontecendo.
-Não consegue falar?
Fiz que não com a cabeça.
-Acho bom fazermos alguns exames, vou pedir que todos saiam, isso pode demorar um pouco.
-Como assim? Minha fila está bem não está? O senhor disse que quando ela acordasse do coma, ela não teria sequelas.
-Eu sei, isso pode ser apenas pelo choque e daqui a pouco volte a voz dela, mas por via das dúvidas é melhor fazermos um exame só para confirmar. Por favor se retirem.
-Você vai ficar bem viu? Daqui a pouco você vai sair daqui, e vai cantar muito ainda viu?
-Senhora Ana.
O doutor olhou para minha mãe com cara de "Por favor, não de esperanças para ela"
-Então Sophi... posso te chamar assim?
Balancei a cabeça dizendo que sim.
-Vamos fazer alguns exames, para vermos oque aconteceu com sua garganta. Pelo o que eu ouvi você canta não é? Tem uma apresentação chegando, tomare que sua voz esteja boa no dia.

"Tomare?"

-Abra a boca por favor. Parece que suas amidá-las estão inflamadas.

"Amídalas inflamadas? Não parece sertão ruim assim, eu já vi pessoas com isso e que recuperaram sua voz uns 2 dias depois do tratamento. Eu ai ter que adiar os ensaios mas fazer o que?"

-Vou providenciar seus exames ok? Tente descansar, isso é muito importante.
Ele saiu da sala com uma cara de preocupação, se passaram 2 horas e nada, 3....
3 horas e meia depois o doutor retornou ao quarto, com uns papéis na mão, meus pais estavam bem atrás dele, pareciam tristes e abatidos.
Assim que eles entraram fecharam a porta.

"Cade o Pedro?!" Eu queria gritar "Onde ele está? Por que ele não está aqui"

-Eu quero conversar apenas com a família, seu namorado está na cantina, com seus amigos.- falou o doutor- sua filha está com as amidá-las inflamadas, no acidente ela bateu em uma pedra, e a pedra machucou sua garganta, por isso esse arranhão, e isso acabou provocando essa falta de voz. Vamos  ter que fazer a cirurgia. Mas eu já vou avisando, o corte foi profundo, se houver ocorrências ou problemas durante a cirurgia, pode ocorrer danos permanentes, na Sophi, danos que vão custar muito altos para ela.

"Em outras palavras: se der alguma coisa errada na cirurgia eu nunca mais vou voltar a cantar"
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