Por Geovanna Domingos

sexta-feira, 12 de dezembro de 2014

Dúvidas, garotos e Rock'n Roll: capitulo 3 Fernando


Cara, se tem uma coisa que eu odeio é aula de matemática, que negócio mais chato. Eu poderia pedir ajuda para a Ângela, ela é fera nisso, mas duvido que ela me ajude, ela é amiga da Sophia, e com certeza ela não vai querer me ajudar. Falta meia hora ainda para acabar a aula, tenho que dar o fora dessa sala, estou me sentindo sufocado (nossa Fernando que exagero).
-Professor? Posso ir no banheiro?
-Sério? Agora? Ok, mas vá rápido, não gosto de aluno passeando pela escola.
Saí rápido da sala, antes que ele mudasse de ideia, não ache que  eu não gosto de estudar, eu gosto, mas matemática não é para mim, consigo nota azul em todas as matérias, mas em matemática, eu sempre passo raspando.
Quando virei o corredor, para ir ao banheiro, vi dois alunos perto de uma arvore de amoras, era um menino e uma menina. A garota estava sentada no chão, com o rosto enterrado nos joelhos, parecia estar chorando, o garoto estava bem do lado dela, lhe acariciando o braço e dizendo-lhe alguma coisa, ele parecia ter pena da menina, quando a garota levantou o rosto, vi que era Sophia, seu rosto, antes pálido, estava vermelho e inchado, eu não consegui ver o garoto. Não sei porque, tive vontade de ir até ela, lhe abraçar e dizer que ninguém merecia aquelas lágrimas, que ninguém merecia seu choro, e que tudo vai ficar bem, tive vontade de pega-la no colo e leva-la para bem longe. Antes de perceber eu já estava perto da árvore, estava a poucos passos de Sophia, quase tocando-a, quando uma mão pega o meu punho com força. Finalmente vi o rosto do garoto, era o Pedro, um garoto que se achava, ele era da mesma sala de Sophia, Pedro e eu sempre brigamos, ele tinha cabelos pretos arrepiados e olhos azuis claros, sua pele é pálida, mas não um pálido doentil, é um pálido charmoso. Sophia olhava para nós dois, assustada, havia parado de chorar, mas seu rosto ainda estava vermelho. Olhei para Pedro e disse:
-Me solta!
-O que você quer cara?
Olhei para Sophia, ela tinha se levantado agora, se colocando no meio de nós dois:
-Sophia, o que está fazendo com esse... esse.... idiota!?
-Não te interessa o que a gente está fazendo Fernando! Sophia está precisando de alguém e eu estou aqui.
-Acho que ela já tem muitos amigos. Sophia, você sabe que esse cara não presta! Vêm, vamos embora sai de perto desse desgraçado.- comecei a puxar Sophia pelo braço, eu me controlava vendo ela perto de todos aqueles meninos. Mas com o Pedro? Meu pior inimigo? Nem pensar!
-Eu não vou a lugar nenhum com você! Pode me soltar agora!
Congelei, Sophia nunca tinha gritado comigo, já vi ela gritando mas nunca desse jeito, este grito me machucou, não pelo volume, mas pela dor e tristeza que ele continha. Virei para trás, com medo da cena que eu ia ver, Sophia estava com cara de raiva, estava chorando, estava com raiva de mim.
-Você acha que as coisas são assim Fernando? Pois o Pedro está aqui do meu lado, perguntando se estou bem, ele está aqui, matando aula comigo me vendo chorar! Você nunca fez isso comigo! Você nunca quis saber se eu estava bem, eu não sei o que se passa pela sua cabeça ta bom!? Mas eu tenho uma vida, e ela não pode parar esperando você se decidir! Eu não vou dizer que te odeio, porque eu não consigo te odiar! Você e o Pedro tem lá suas briguinhas, mas isso não tem nada a ver comigo, se eu tenho uma amizade com ele ou não, é problema meu, você nunca esteve presente na minha vida! Por que quer estar agora?
Fiquei sem resposta para tudo isso, senti meus olhos encherem d'agua, mas segurei, Sophia caiu no chão e Pedro estava tentando fazer ela parar de chorar, mas Sophia não reagia, Pedro olhou para mim, com uma cara de raiva, ele se levantou e veio na minha direção. Pronto quer ver que ele vai gritar comigo?
-Cara na boa, sai daqui, você não faz bem para ela.
Ele não gritou, ele apenas falou com calma e se virou, pegou uma Sophia chorando pelo braço e entrou com ela na escola, colocou o braço nos ombros dela de uma forma protetora, Sophia deu uma olhada em mim e depois virou o rosto. Eu soube o que significava esse olhar, significava ''essa é sua ultima chance".
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