Por Geovanna Domingos

domingo, 21 de dezembro de 2014

Dúvidas,garotos e rock n' roll: capitulo 10 Sophia

Dois dias depois da cirurgia, eu já estava em casa, finalmente livre daquele  hospital. O Doutor Henrique me disse, que saberíamos o resultado da cirurgia amanhã. Ele recomendou repouso e que eu não falasse muito, e que nem pensasse em cantar. Obvio que isso foi uma tortura para mim. Já foi muito difícil ouvir meu pai ligando para a Vera desmanchando o ensaio de hoje, eu nunca na vida desmarquei  um ensaio.
-Sinto muito Sophi.
-Tudo bem pai.
Passei os últimos 2 dias, no meu quarto, ele era aconchegante, trabalhei muito nele para ele ser assim. 3 paredes eram brancas, tinha uma pintada de rosa claro. Eu não tinha um guarda-roupa. meus pais fizeram um closet para mim, para desocupar espaço. A tv ficava grudada na parede. Minha estante de livros é enorme. Como estamos perto do natal coloquei um pisca pisca branco. tem um espelho enorme pregado na parede, meu violão descana bem ao lado dele. Adoro ficar na janela grande que é virada para o jardim dos fundos. Eu fico lá apenas pensando, foram lá que composições nasceram, leio livros ou eu faço exatamente o que eu estou fazendo agora. Nada. Apenas olhando para o jardim, não pensando em nada. Ontem a noite eu adormeci lá. Não saio de lá, a menos que seja para ir ao banheiro. Mas eu não fui  para a sala, nem para a cozinha, não sai de casa.
Mamãe até se preocupou comigo, tentando me fazer sair de casa, mas eu não a ouvia. Meu celular descarregou no hospital, e não me dei o trabalho de carrega-lo de novo. As pessoas vinham me visitar, entravam no meu quarto, mas eu não conversava com elas. Elas falavam comigo como se estivessem falando com uma criança de dois anos.
Uma vez ouvi atrás da porta quando sai do banho, minha mãe e um amigo conversando:
-Eu não sei o que está acontecendo, desde o hospital ela não fala, o médico disse que a voz dela voltara, mas ela não pronunciou nenhuma palavra.
-Ana, ela não está bem. Eu tentei conversar com ela, mas ela apenas ficou olhando para fora sem nem olhar para mim.
-Ela está apenas desorientada.
Quando ouvi essas palavra não aguentei mais, fui para o meu quarto e bati a porta com força, para eles saberem que eu ouvi tudo.
Dormi está noite denovo na janela. Acordei sozinha, a minha porta está fechada, encosto meu ouvi na madeira fria, mas não ouço nada. Olho no relógio, são 11:30. Ultimamente eu estou dormindo ate tarde. Minha consulta com o Doutor foi marcada para as 14:00. Hesitei antes de abrir a porta do meu quarto, com medo de sair dele, parecia que apenas lá eu estaria segura, que nada me aconteceria.
Desci as escadas com minhas pantufas, para não fazer barulho, olhei na sala ninguém, olhei na cozinha ninguém, os banheiros também estão vazios. Os jardins, o da frente e o do fundo, não tinham ninguém. Apenas Bryan estava em casa pelo o que eu vi.
-Cade todo mundo?- perguntei com minha voz rouca acariciando-o, ouvi o barulho de um carro, o portão automático sendo aberto.
Subi as escadas correndo e me tranquei no quarto. Ouvi a porta da sala sendo aberta, os sapato de salto alto de mamãe fazendo o costumeiro toc toc, que ele faz.
Ouvi vozes, mas não entendi o que estava acontecendo.
Alguém está subindo as escadas, voltei para a janela, fingindo que nada estava acontecendo.
-Filha?- disse minha mãe batendo e abrindo a porta- gostaria de te apresentar uma pessoa.
Olho para ela calmamente, do lado da minha mãe, está uma moça negra bonita, seus olhos eram pretos e grandes, seu corpo era esbelto e cheio de curvas, seu cabelo cacheado estava preso em um rabo de cavalo delicado, sua blusa amarela realçava o tom de sua pele, e seus sapatos de salto alto eram vermelhos e elegantes.
-Essa é a doutora Vanessa, ela gostaria de te conhecer.
-Prazer Sophia, como vai?
Sua voz era calma e profunda, como um ronronar.
-Estou bem.
Detesto o fato de mim voz ter saído fraca e com um leve tremor.
-Ana, poderia me deixar a sós com a Sophia?
-Claro qualquer coisa estou lá em baixo.
Minha mãe fechou a porta cuidadosamente.
-Eu posso me sentar.
Vanessa apontou para uma poltrona velha cor de rosa que estava perto da janela. Eu fiz que sim com a cabeça.
-Eu sou amiga do Doutor Henrique, ele disse que eu iria gostar de você! Eu sou psiquiatra.
-Legal.
-Sua voz ainda não está 100% ?
Não sei porque mas aquele pergunta doeu. Dei de ombros e olhei de novo para a janela.
-Esse ainda é um assunto delicado né? Quer conversar?
-O Doutor disse para eu não falar muito e que eu nem pensasse em... cantar de novo por enquanto.
-Você canta né? Sua mãe mostrou um video seu. Você canta muito bem...
-Sem querer ser rude, mas você não está ajudando. E eu tenho uma consulta como doutor as 14:00 ta bom? Então nem perca seu tempo comigo.
-Não estou perdendo tempo com você. Me fale mais sobre como é a sensação de cantar.
Uma raiva cresceu dentro de mim. Ela estava cutucando uma ferida que doía de mais, quando eu percebo estou olhando nos olhos dela, bem perto, e falo a primeira coisa que vem na minha cabeça:
-É incrível a sensação ok?! Mas eu não quero falar disso! Porque doí de mais! Então vai cuidar de sua vida e me deixe em paz! Não me interessa de quem você é amiga ou quem é você! Sai daqui e para de me machucar! Eu não quero falar sobre isso! Ouviu? EU NÃO QUERO MAIS SABER DE PORCARIA NENHUMA!
Assim que termino de dizer tudo isso, minha cabeça começa a girar, não consigo entender nem ver mais nada, eu caio no chão a Doutora está chamando o meu nome e aí... eu desmaio.


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