Por Geovanna Domingos

segunda-feira, 26 de janeiro de 2015

Dúvidas, garotos e Rock 'n Roll: capitulo 14 Pedro

Sophi estava gritando muito, parecia que estava sufocando.
-Sophi! Acorde!- ela começou a me bater, tentando se defender- Sophia! Acorde! Sou eu! Pedro!

Ela abriu os olhos, estava mais pálida do que o normal. Ela começou a respirar fundo, se recuperando do sonho ruim.
-O que foi meu amor?
-Sonhei que tinha caído e estava sendo sufocada por uma névoa... foi só um sonho idiota, nada de mais.
-Sério? Porque você está gritando! De verdade você me assustou.
-Desculpe.
-Tudo bem. Agora venha aqui, parece cansada ainda.
Então coloquei meus braços ao redor dela, ela deitou a cabeça no meu peito, se aninhou, por mais que seja começo de verão, aquele dia estava frio, e a Sophi estava com febre nesses dias, ou seja frio em dobro.
Depois de uns 10 minutos, ela pegou no sono de novo. Eu quase estava dormindo também, quando Dona Ana bateu na porta do quarto de Sophi e nos viu, ela fez uma expressão um pouco constrangida.
-Pedro.- ela sussurrou meu nome- a Doutora Vanessa quer falar com você lá na sala por um minuto.
Demorei um pouco para lembrar quem era a Doutora Vanessa.
-Cla..cla..claro, D. Ana.
Me levantei e já estava na porta, quando ela falou:
-Não prefere colocar a camisa antes de descer?
Então ela apontou para a minha camisa azul clara que estava embolada, jogada no pé da cama de Sophi. Meu rosto deve ter ido do vermelho para o roxo.
-Desculpe, não vai mais acontecer.
-Depois falamos disso. Vamos?
Vesti a camisa e desci as escadas. Uma mulher jovem estava sentada no sofá, com uma prancheta familiar na mão direita, e uma xícara de café na mão esquerda.

Quando ela me viu deu um sorriso simpático e se levantou.
-Então este é o famoso namorado protetor. Pedro?
-E você é a famosa psiquiatra que a Sophi se recusa a ver. Vanessa?
Ela deu uma risada nervosa.
-Acho que podemos colocar assim, como preferir.
-Então, a Dona Ana falou que você queria falar comigo.
-Eu estou falando com todo mundo que Sophia tenha contato, já falei com a mãe dela, o pai, amigos, irmão, e agora quero alar com você.
-Já falou com o Bryan? Ele que sabe mais coisas de Sophi, do que todos nós.
-Quem é Bryan?
-O cachorro dela. Bate um papo com ele,talvez ele te... lata alguma coisa.
Não ia com a cara daquela mulher, e quando ela anotou alguma coisa naquela maldita prancheta! Ela por acaso estava me avaliando? Agora eu sei o que Sophi quis dizer, quando ela disse que, quando se estava com aquela mulher, parecia que tinha vários tubos ejetados em você, no seu cérebro, e parecia que ela queria entrar pelos tubos na sua mente.

-Pedro, eu só quero saber como era a sua relação com a Sophia. Quem é Sophia na sua opinião?

Aquela pergunta era interessante.
-Você fez essa pergunta para os outros também?
-Fiz, mas não posso lhe dizer o que responderam. Isso é pessoal.
-minha relação com Sophi também é pessoal.
-Exato então se não quiser falar sobre a "relação" de vocês, não fale. Fale apenas do que Sophi representa para você. Quem é a Sophi?

-Tudo bem.-respirei fundo, e me sentei no sofá- Sophi... é tudo para mim. Ela me ajudou muito, eu não tinha amigos, arrumava briga por qualquer coisa, aí ela apareceu, e tivemos uma conversa muito boa, então ficamos na festa da escol, depois começamos a namorar. Houve o acidente e... tudo o que eu consigo pensar... 24 horas por dia é... Sophi, tem que se curar. Ela é uma pessoa boa, ela é carinhosa, cuidadosa, forte, não desisti quando quer alguma coisa, ela tem a voz mais linda que eu já ouvi, escreve letras lindas...Por que... por que uma pessoa assim, tem que sofrer tanto?

Só quando terminei de falar, é que percebi que estava chorando.

-É o suficiente Pedro. Obrigada, Não foi tão mal assim não é? Pode ir. Fique forte.

-Tchau.

-Tchau.

Subi as escadas, e vi Sophi dormindo tranquilamente, parecia ter um sonho bom, estava com um leve sorriso, tinha vontade de voltar a deitar na cama com ela, mas tive medo de acorda-la, e eu tinha coisas para fazer também. Como ficar um pouco em casa, e fazer os deveres. Sophi não estava mais indo para a escola, mas eu estava.

-Vamos conseguir Sophi.

Então peguei papel e caneta e deixei um bilhete para ela.

Querida Sophi, não quis te acordar, vou passar em casa para fazer alguns deveres. Quando acordar me mande uma mensagem. Amanhã de manhã vou passar aí antes de ir para a escola. Durma bem. Te amo pra sempre.

Pedro.

Me despedi meio sem jeito de D. Ana e saí, pensando com um orgulho enorme, que aquela conversa com a Doutora foi...um jeito bom de desabafar.

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