Por Geovanna Domingos

segunda-feira, 26 de janeiro de 2015

Dúvidas, garotos e Rock 'n Roll: capitulo 13 Sophia

Ignorei os barulhos vindo do corredor, sabia que alguém estava discutindo com alguém. Só não fazia ideia de quem era. Não consegui reconhecer nenhuma das vozes, nem sabia dizer se eram homens ou mulheres.
Eu não conseguia ouvir as pessoas muito bem agora, minha própria voz não deixa. Depois do que o médico falou no hospital. Essa lembrança sempre invade minha cabeça.
Eu me lembro que tinha dito para o Doutor Henrique que todo mundo morria, só que algumas pessoas iam mais cedo. Depois ele conversou comigo e com meus pais e com o Pedro também.
Dizendo que os exames mostraram que ouve danos no meu cérebro, danos quase irreverssíveis. Na noite do acidente bati minha cabeça com muita força na pedra, ele disse que dentro do caso, era de se esperar que eu agisse assim, não falando, não comendo, não saindo do quarto. Parecendo um zumbi.
-Ela entrou no estágio de simples mente sentar e ver o que acontece.
Senti a tristeza de meus pais na hora, Pedro ficou apenas ali, sentado olhando pro nada. Uns dias depois voltei para casa, com um remédinho novo para tomar. Como se isso fosse novidade.
De volta ao meu quarto eu não paro de me perguntar.
"E agora? O que vai acontecer?"
Me levanto da cama, parece que a discussão tinha acabado lá fora. Faz uns dias que eu não me preocupo com minha aparência, não me olho no espelho a dias. Caminho em direção ao grande espelho que está encostado no meu quarto, eu o tinha coberto com várias roupas e panos, não queria correr o risco de ver meu reflexo, nem que seja de relance. Tomo um susto quando o espelho revela uma garota que se você espremece os olhos e olhasse de longe pareceria comigo.
Não sabia que meu cabelo estava tão bagunçado, meu corpo estava... esquelético. Meus olhos tinham perdido a vida, e tinha uma coisa diferente também ,não na minha aparência, mas uma coisa mais profunda, como se tivesse alguma coisa podre dentro e mim.
-Posso entrar?
Pedro bateu na porta, com uma expressão um pouco mais feliz do que nos últimos dias, como se o fato de eu estar fora da cama ou da janela, já fosse uma melhora.
-Como você está Sophi?
-Olha o que aconteceu comigo.- disse olhando para a garota que estava no espelho.- Como foi que isso aconteceu? Nem sei como você pode me olhar!
Meus olhos se encheram de água, me joguei no chão com as mãos na cabeça, com vontade de... de... sei lá o que! Mas de descontar minha raiva em alguma coisa.
-Sophi não diga isso! Eu te amo, e acho você linda! Olha mesmo quando nós tivermos 80 anos, eu vou t achar a menina mais linda desse mundo.
-Não diga coisas que você não pode cumprir! Não temos nem 16 anos! Não pode sair por aí dizendo essas coisas!
-Por que não? Sophi somos muito jovens, eu sei disso não sou idiota, mas eu nunca senti o que eu sinto por você. Minha vida toda, eu procurei fugir de todos os meus problemas, eu era quase um moleque de rua, fugia dos meus problemas, não pedia ajuda por orgulho, fazia coisas de crianças. Mas aí eu te conheci e vi que a vida é muito mais do que eu esperava, eu vi que existe felicidade, você proporcionou os meus melhores e mais felizes momentos. Sophi não pense nem um minuto, que eu não te amo. Olha para mim. Eu te amo.
-Eu também te amo.
Então nos beijamos, como não háviamos nos beijado a dias, nos separamos para pegarmos ar, e nos beijamos de novo, eu me deitei no chão, Pedro se deitou em cima de mim. Mas o chão era muito desconfortável. Afastei Pedro e me levantei, puxei ele, e caímos na cama, nos beijando. Percebi que ele perdeu peso também, mas ele ainda estava em forma.
Meu celular começou a tocar, Royals da Lorde, pulei da cama e comecei a procurar ele.
-Sério Sophi? Agora?
-É Fernando. Alô?
-Sophia? Oi! Como você está? Parece ofegante.
-É... eu estava... fazendo... exercícios.
-Nossa, parece que você estava concentrada.
-Você não faz ideia.
-Então, eu estava pensando se eu poderia ir te visitar.
-Me visitar?- olhei para o Pedro, ele começou a fazer um "não" com a cabeça- hum eu vou ver se tenho algum exame hoje ou amanhã, aí eu te falo.
-Ok, me liga. Beijão.
-Tchau.
-Sophie, faça qualquer coisa menos receber esse cara na sua casa.
Suspirei e voltei a deitar na cama, virei de lado e olhei para Pedro.
-Por que ele não pode vir aqui?
-Porque da última vez que ele veio aqui, você estava dormindo, ele invadiu aqui, eu e ele brigamos, sua mãe depois veio tentando separar e parar ele, e quando ele te viu ele perguntou...
-O que ele perguntou?
-O que tinha acontecido com você.
-Que coincidencia, eu também quero saber.
-Não fique assim Sophi, eu estou aqui para você.
Falando isso ele me deu um beijo, e começou a acariciar meu cabelo, eu dei um sorrisinho para ele.
-Obrigada.
Então ele piscou para mim, então eu fechei meus olhos e entrei em um sono profundo.
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Quando abri meus olhos não estava no meu quarto, Pedro não estava do meu lado. Eu estava em uma floresta, estava de noite, comecei a correr, os galhos dos arbustos estavam fazendo arranhões na minha pele. Comecei a ouvir vozes e comecei a ver sombras elas estavam me seguindo. Tropecei em um tronco de árvore, quando cai no chão, senti uma coisa pegajosa de baixo de mim, tentei me levantar, mas uma névoa preta saio do chão.
A névoa começou a me sufocar, tento escapar mas não consigo.
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