Por Geovanna Domingos

quarta-feira, 28 de janeiro de 2015

Dúvidas garotos e Rock 'n Roll: capitulo 15 Sophia


Doutor Henrique ligou parra minha mãe umas 2 horas atrás, pedindo para que fossemos ao hospital, pois meus exames já  tinham saído.
Minha mãe estava um pouco pálida, coisa que era rara de acontecer, ela tinha perdido peso e olheiras, que ela nunca teve na vida, estavam começando a aparecer.
Eu destruo todos a minha volta!
Encontrar algum jeans que não ficasse caído era uma missão difícil, mas com a ajuda de um cinto consegui. Pouco tempo depois chegamos ao hospital. O lugar me dava arrepios, odiava aquilo, quanto mais cedo saissimos dali melhor.
-Sophia?- disse a secretária do hospital- o D. Henrique vai atende-la.
-Obrigada.
"É agora" pensei, vamos finalmente descobrir o que raios eu tenho. Percebi que minha mãe estava tremendo do meu lado.
Sim eu não presto, destruo tudo!
Peguei a mão dela e dei um sorrisinho, querendo passar a impressão de que estava bem e otimista. Não sei se consegui.
-Olá. D. Ana posso falar com Sophi a sós por um minuto? Daqui a pouco chamo a senhora. Por favor.
-Tudo bem... eu...vou...pegar um café.
E suspirando ela saiu da sala, não sei porque mas um pânico começou a crescer dentro de mim, queria sair correndo atrás dela e pedir para não me deixar aqui, como algumas crianças fazem no primeiro dia de aula.
-Então Sophi.
Disse Henrique (é assim que eu  o chamo) cruzando os braços.
-Então Henrique.
Disse fazendo a mesma pose.
-Seus resultados saíram e queria que fosse a primeira a vê-los, sem ninguém por perto, preciso ver sua real reação. Não quero que a suavize nem a dramatize por alguém está aqui. Quero saber a verdade. Ok?
-Entendi.
Ele puxou um envelope branco com o nome do Hospital impresso nele. Peguei o envelope em minhas mãos, havia bastante papéis lá dentro.
-Você já viu?
-Sim Sophi, eu já vi.
Abri o envelope de vagar, os segurei com as mãos tremulas e comecei a ler em voz alta.
-Foi confirmado que a paciente Sophia Devonne está com depressão. O acidente que a mesma sofreu causou grandes sequelas. A paciente precisa ser internada em uma clinica para o seu próprio bem, pois ela esta desenvolvendo o ataque do pânico e sem se dar conta a anorexia.
Quando terminei de ler deixei o papel cair no chão. Depressão? Eles estão errados. Internação? Com certeza eles estão errados.
-Eu sei que é difícil processar tudo  isso, mas Sophi se você...
-Henrique  isso aqui está errado! Isso não é meu! Deve ser de outra Sophia Devonne! Não sou eu!
-Sophi, tem as assinaturas de seus pais!
Comecei a sentir uma raiva crescendo dentro de mim, estou com raiva, raiva da situação, raiva... de mim mesma! Como me odeio! De repente tudo começou a girar, caí no chão, mas nem senti a dor da queda, coloquei a cabeça entre os joelhos e comecei a chorar e a contar.
-Sophi venha, me de a mão.
1...2...3
-Sophi não estou brincando venha!
4...5...6
-Sophia eu vou precisar gritar mais com você?
7...8...9
Henrique pegou no meu braço e me levantou, me colocou na cadeira, ainda não tive coragem de olhar para ele, comecei a contar, só que em voz alta.
-10...11...12
E chorei, chorei até meu peito doer, comecei a gritar.
-Aqui tome esse calmante.
Tomei o remédio doida para poder escapar dessa situação, mas o  remédio não me fez apagar, apenas me fez ficar um pouco menos nervosa.
-Agora acalme-se. Eu sei que é difícil e um pouco radical, mas é para o seu bem. Agora sabe porque eu não quis sua mãe aqui. Vou chamar ela lá ma cafeteria, já volto.
Então ele saiu da sala.
E se minha mãe me visse daquele jeito? Eu tive um ataque! Não posso fazer isso na frente dela.
Alguém abre a porta e vejo meu pai entrando na sala.
-Oi pai.
E me joguei nos braços dele e comecei a chorar. Chorar como uma criança, e depois de alguns minutos parei.
-Oque deu nos exames tampinha?
Não falei nada, apenas peguei os papéis jogados e dei nas mãos dele. Ele leu e releu, parou olhou para mim e vi seus olhos encherem d'água. ótimo! Mais uma pessoa que eu faço chorar.
-Sua mãe já sabe?
-Não, o doutor deve estar contando para ela agora.
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Voltamos os trés juntos para casa e nenhum de nós disse uma palavra sequer.
Chegando em casa fui direto para o meu quarto. Isso não pode acontecer! Minha família está se afundando! Não vou para um clinica! Isso vai piorar tudo! Tem que ter outro jeito!
-Só se...
Será que eu conseguiria? Era uma escolha arriscada. Mas se eu fizesse teria que ser rápido sem pensar e...essa noite.
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Passei o máximo de tempo com os meus pais, meu irmão e Bryan, falei com meus amigos pelo telefone e... não tive coragem de falar com Pedro. Sei que não conseguiria esconder meu plano dele e ele tentaria me impedir.
Esperei todo mundo da casa ir dormir, todas as postar estavam fechadas, juntei algumas roupas na mala, peguei minhas economias e desci as escadas na pontas dos pés.
Destranquei a porta e dei uma ultima olhada na minha casa.

'Adeus' Sussurrei e fechei a porta atrás de mim e sai sem rumo.
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