Por Geovanna Domingos

quarta-feira, 27 de março de 2019

Metamorfose


Eu sou sentimento, amor, confusão, paz, serenidade e ansiedade. Tudo misturado. Tenho os meus momentos de mocinha e as vezes faço o papel da vilã. Eu vivo com toda a certeza de que eu não sei absolutamente de nada. Eu demorei para perceber todo esse caos que sou, demorei para amar esse meu lado completamente bagunçado, fora do compasso e nem um pouco ritmado. 
Tudo bem pintar fora da linha as vezes, esquecer de fechar a porta quando entrar ou sair de uma sala, deixar de lado a base e o rímel e sair na rua maquiada com apenas o seu sorriso. 
Tentei ser fria como você, devolver na mesma moeda todos os sentimentos que me causou. Mas eu não sou assim. Meu coração não permite que a frieza chegue em nossa relação.
Sou fogo, queimo, ardo e faço você querer se aproximar cada vez mais. Mas, você com o seu gelo, tenta me apagar mais a cada dia que passa, porém, para minha sorte, eu descobri que fogo pode ser mais forte do que gelo.
Desculpe pela bagunça no meu coração, eu sempre esqueço de arrumá-lo para receber visitas, especialmente para aquelas que chegam sem avisar. Mas, pensando bem, eu amo a bagunça que eu sou, amo a bagunça de sentimentos que tem dentro de mim, senão não seria eu.
A melhor coisa é a liberdade, tinha me esquecido que ela pertencia a mim. Acho que a deixei debaixo de todos os relacionamentos errados que tive nos últimos anos, acabei esquecendo de pegá-la quando eles foram embora. Sempre faço isso.
Cadê aquele short jeans que eu amo e ele não me deixava usar? Ah, sim! Está aqui, junto com as minhas opiniões sobre as minhas próprias roupas, que por sinal, são lindas, acho que vou usá-las hoje a noite.
Perdão, mas você não ai encontrar uma organização dentro de mim, ou uma pessoa que não tenha pensamentos próprios. Você vai encontrar uma menina, mulher, perdida, confusa, estranha, bonita, engraçada, inteligente e que muda constantemente de opinião, e que adora ser livre para ser tudo isso.
Agora eu me olho no espelho e não enxergo as suas ideias e opiniões. Eu voltei a me enxergar. É a melhor coisa do mundo inteiro. São as minhas roupas, os meus batons, as minhas vontades e os meus planos para ganhar o mundo, que eu sei que posso realizar, só depende de mim.
Ter esse controle de volta é maravilhoso. Eu não estou sozinha, tenho pessoas na minha vida, que entendem que o protagonismo da minha história, pertence somente a mim. Elas me deixam livre e sabem que isso é a minha felicidade. Deve ser coisa de aquariana ou de uma mulher que está descobrindo como a independência é boa, eu só sei que a felicidade chegou, na verdade, ela sempre esteve dentro de mim, eu só passei por uma metamorfose... Passei não, eu sou uma metamorfose.


terça-feira, 26 de março de 2019

Protagonista

Eu estou há uns bons minutos me olhando no espelho. Tentando enxergar quem é essa pessoa que está me encarando de volta. Como ela chegou até aqui? O que passou? Quais são as suas histórias e aprendizagens? 
Foi estranho, pois eu estava tentando me encontrar há semanas! Revirei todo o meu guarda roupa, olhei debaixo da cama, dentro das minhas bolsas de maquiagem e até no pé direito da minha bota nova, mas eu não estava lá. 
Parecia que eu estava fugindo de mim mesma, como se estivesse com medo de encarar os sentimentos e verdades que aquele reflexo no espelho estava tentando me mostrar. Apagada. Era assim que eu estava. No automático, como se alguém estivesse apertando alguns botões na minha cabeça, e eu fizesse os comandos. 
"Bom dia"
"Bom dia"
"Tudo bem?"
"Tudo, e com você?"
"Tudo"
A gente se perdeu. Nos perdemos no silêncio que abita nas nossas conversas. Eu me perdi no seu jeito frio e completamente indiferente comigo. Deixe as várias versões de mim, que eu realmente gostava, para trás, esquecidas e enterradas. De novo, eu me esqueci de me colocar em primeiro lugar. Por que eu sempre faço isso?  Mas não posso evitar, o que a gente teve foi muito bom para deixar passar, mas o preço que eu paguei foi alto demais, estou com vontade de mim. 
Dói, machuca, só de imaginar que você não faz parte mais da minha vida me faz querer gritar, chorar, sair correndo e fugir para bem longe, empurrar para bem fundo a sensação de que já passamos da data de validade. Mas isso não é justo comigo.
Eu parei de encarar o espelho e fui para o chuveiro, tentar tirar você de mim, mas não consegui, parece que passamos tanto tempo juntos, que viramos um só. E esse foi o meu maior erro. Eu deixei você ser protagonista junto comigo na minha vida, não me leve a mal, mas esse papel é só meu. As falas, pensamentos e história, são só meus... Eu sou a diretora, roteirista, figurinista e protagonista do meu próprio filme. Você não tem o direito de chegar e mudar tudo, como se tivesse comprado os direitos autorais da minha história, eles são só meus. 
Então, se para voltar a ser protagonista e ter o controle da minha vida de volta, é necessário que você vá embora, adeus.

segunda-feira, 25 de março de 2019

(Sem) Aviso de despejo

Eu preciso pedir desculpas.
Desculpas para eu mesma.
Você me deixou ir, apenas abriu os braços e me deixou escapar, fui escorregando lentamente, até não sobrar mais nada de mim entre os seus dedos. É como se eu simplesmente esquecesse de como é ser dona de mim, das minhas vontades, dos meus gostos, dos meus prazeres e das minhas opiniões. No final da história, a bruxa acabou sendo eu mesma. A cobra. A falsa. A megera. Eu acho que me concentrei tanto em fazer com que todo mundo gostasse de mim, que acabei deixando a minha própria opinião, sobre eu mesma, de lado. Eu esqueci de fazer com que eu goste mais de mim também.
Guardei dentro do meu peito meus medos, minhas opiniões sobre você, sobre o seu jeito de sempre querer atenção, achar que está sempre certo e que todos a sua volta são os maus da história. Escondi entre os meus sorrisos falsos  de aprovação e mandei a voz que está dentro da minha cabeça calar a boca, quando ela me dizia que você não era meu amigo.
Sou covarde de mais e muito insegura para conseguir te dizer o quão errado eu acho esse seu jeito, de sempre me deixar sem jeito. Você me leva a caminhos e situações em que eu sempre acabo me desculpando e me enrolando. Eu me enrolo nas minhas palavras, nas suas opiniões, na nossa amizade, tão complicada e cheia de nós, nós que nós formamos conforme o tempo foi passando.
Acho que a grande culpada no fim disso tudo sou eu mesma. Deveria ter falado mais. Talvez eu pagaria de louca, mas não me importo mais...
Eu sou poesia, sou palavra, sou sentimento, pensamento, coração, mente... Fria, quente, louca, chata, metida a sabe tudo e também me faço de coitada por não saber de nada. Confusa. É assim que você me deixa. Sinto falta dos nossos momentos, mas logo em seguida, lembro que eles não foram reais. Como posso sentir falta de uma coisa que não foi real?
As cicatrizes nas minhas costas estão aqui para provar que eu senti cada uma das palavras que você falou sobre mim... para outro alguém. Dói, machuca, fere e eu não sei para onde correr. Eu costumava chamar a nossa amizade de casa, mas agora vou ter que me mudar de volta para eu mesma. Você não precisou me despejar, eu que quis sair, o aluguel estava ficando muito caro.
É triste esbarrar com a sua antiga casa na rua e continuar andando, como se ela não significasse mais nada para você. Seguir em frente, fingir que nada daquilo aconteceu.
Esse é o nosso pior erro. Fingir que não fomos machucados e que machucamos também. Tentar esquecer que também fomos casa para alguém, e que o preço do nosso aluguel também subiu... Desconhecidos, estranhos, é o que nós somos agora.
Mas eu comecei esse texto dizendo que precisava pedir desculpas para eu mesma.
Por que?
Eu, que sempre fui contra a censura, acabei fazendo isso comigo mesma. Eu acabei subindo tanto o preço do meu aluguel, que quase acabei sendo despejada também. Nós dois na mesma casa não cabe. É apertado de mais. E se teve uma coisa que eu aprendi nessa amizade, foi que se eu não te colocar para fora, vou acabar na rua.   

Metamorfose

Eu sou sentimento, amor, confusão, paz, serenidade e ansiedade. Tudo misturado. Tenho os meus momentos de mocinha e as vezes faço o papel ...